quinta-feira, 11 de março de 2010

9.

O que é que eu poderia pedir mais? No final do dia, pintavas-me as unhas de vermelho como gostavas. (Quase) Todos os dias me mimavas
e dizias-me o quanto era bonita, aos teus olhos. Habituei-me a ti, como se fosses a minha própria respiração. O essencial de sobrevivência.





As coisas mudaram. Tu já não me pintas as unhas de vermelho e chegas a dizer-me que talvez um roxo me ficasse melhor. A minha respiração tornou-se sufocante e parece que fico sem ar. Vou ter que me desabituar de ti. E sabes o que te digo mais? Se pudesse pisava-te com os meus pés.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Voaste.

Falavas-me das gotas de suor que deixava no teu corpo, quando delineavas com a pintura dos teus dedos o meu rosto. Sim, sempre que te conheci de pintares as telas à mão, como o instinto te guiava. Era engraçada a forma como todos os teus quadros tinham um cheiro característico - como se todos os que me ofereceste fossem originais. Descobri pouco a pouco que partilhavas todos esses quadros com os teus (des)amores. Não era a única.
Afinal, não passavas de um palhaço com a mania que era pintor.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Querido,

Até me espanta que cantes aos meus ouvidos as músicas mais bonitas de amor, com o som da gaita de foles pendurada nos teus cabelos. Os teus olhos tocam flautas enquanto as tuas mãos dão-me música.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Olhei-te,
fora dos olhos.
Escutei a maresia enquanto
sonhava contigo de noite.
Estavas ausente de corpo
como se de uma alma te tratasses.
Não te vi por dentro,
nunca te conheci.
Mas eu olhei-te,
fora dos olhos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cinderelo.

E chamas-me Cinderela como se uma boneca de porcelana se tratasse. Fazes os teus engenhos e cobras com a saudade que outrora me preenchia o coração. Falas das histórias que vivemos e de todos os sorrisos de princesa que deixavas no meu rosto de vidro que era composto de pequenos pedaços partidos. Mas esqueces-te que foste tu quem me roubou o sapatinho.

sábado, 26 de dezembro de 2009

E tu até achas piada a essas refeições que fazes de vez em quando - como quem não quer a coisa - e depois finges que nada se passou. Olha, lamento informar-te que não faço parte desse teu menú. Se pensas que estou em promoção só porque sou ingénua estás muito enganado.
Meu querido, já não se vendem bitoques a um euro e meio.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Viagem.

- Amor, espera!
- Então?
- Esquecemo-nos das malas.
- Não faz mal... Se estiver contigo, basta.
- Mas o meu coração está lá dentro.
- Isso não importa.
- Porquê?
- Acreditas no amor?
- Sim, claro. E tu?
- Não. Por isso vamos continuar a viagem.
E esquece o coração.